G. C. Flores de Primavera
   

Sendo o cante alentejano, um canto colectivo predominantemente masculino, as mulheres só podiam cantar em conjunto com os homens nas actividades rurais, ou então, na igreja ou romarias, as quadras cantatadas em coro harmonioso pelos homens, homenageiam a mulher pelo seu trabalho a seu lado, cantando nas ruas, tabernas e festas. Após as transfomações políticas e sociais  do 25 de Abril de 1974 a mulher passa a ter direito a participar em actividades que até aí eram exclusivamente masculinas. É neste contexto que, em 1979, se cria o primeiro grupo coral feminino. Este grupo foi fundado por Amaro António Rosa Santana, que veio de um grupo coral amasculino existente em Ervidel e extinto nessa altura.

Foi no regresso de uma manifestação em galérias (rulotes de tractores), talvez da povoação de quintos, que o senhor Amaro olhando para o grupo de mulheres que o acompanhava, teve a ideia de formar um grupo coral feminino e sem perder tempo disse: “moças e se fizesse-mos um grupo de mulheres?” Alguém respondeu: “mas isso não existe!!”. A esta exclamação replicou de imediato: “Alguma vez há-de ser a primeira...”

Foi através desta iniciativa que se juntaram três mulheres: Emília Neves, Natividade Constantino e Maria Pereira Rodrigues, que em casa gravaram uma cassete audio, ouviram-na com o senhor Amaro, que ficou como ensaiador. Gostaram do que ouviram e logo deitaram “mãos à obra”.

É de referir que a fundação do Grupo coral feminino só foi possível devido às transformações sociais culturais que ocorreram nos finais dos anos setenta, em que a mulher começou a assumir papéis que anteriormente não lhe eram permitidos. Sem esquecer também a constante luta que se travou nesses anos e seguintes, pela criação da Base de Saúde, em que este tipo de grupos teve um papel considerável.

A primeira saída e actuação do Grupo foi a Alfundão. Do reportório ali apresentado, faziam parte as músicas da Revolução, umas já conhecidas outras originais, escritas pelos elementos do grupo e sobretudo, pelo ensaiador. A segunda actuação foi em Porto Brandão, onde tiveram que pernoitar.

Fonte: “As mulheres do cante”

Contacto

Rua da Eira de Cima, n.º 1 - 7600 Ervidel

Telefone: 284645329


Esta categoria ainda não possui artigos