Assalariados Agrícolas de Ervidel PDF

 

 Assalariados Agrícolas de Ervidel - trabalho e resistência sob o fascismo - notas de história oral

 

A obra, fruto da investigação do autor durante doze meses, foi apresentada no passado dia 9 de Maio, é prefaciada pelo director do Avante!, José Casanova, que esteve também na sua apresentação. O Grupo Coral As Margens do Roxo também marcou presença neste evento.

 

Esta edição, reflexo de assinalável sensibilidade desta edilidade, é o contributo para que, na história desta população, perpetuada nas gerações mais novas e nas que hão-de vir, não fiquem apenas as «versões» oficiais, mas também a voz dos verdadeiros intervenientes no que foi a dura realidade dos assalariados agrícolas alentejanos durante o fascismo português.

 

                                                                       O presidente da Junta de freguesia de Ervidel

                                                                                 

                                                                                                          Manuel Nobre

 

 

 

Devolver a voz aos dominados, reescrevendo a história com as palavras daqueles que não o souberam ou puderam fazer (porque, enquanto dominados, não tiveram acesso às letras ou à forma de as vincular na história oficial) é o principal dever do Antropólogo. Enquanto cientista e enquanto homem. Daí a necessidade deste livro, desta investigação. Fruto da recolha de histórias de vida e de muitos momentos passados com os meus informantes, este livro, é, antes de tudo o resto, uma versão da história do Alentejo, materializado, todo ele, em Ervidel.

Do Alentejo polarizado entre o latifúndio e os homens que o trabalharam. Entre os proprietários e os que viveram à conta da venda da sua força de trabalho. A história da repressão fascista nos quotidianos dos trabalhadores e da sua resistência. De um lado um Estado fascista, sustentado pelos latifundiários que, vastas vezes, o constituíam. Do outro, assalariados rurais, no limiar da fome, sem acesso aos princípios básicos da humanidade: saúde, educação, habitação condigna. E resistentes, sempre! É desta resistência, dos episódios de que foi feita, que trata este livro. Nele não encontraremos nada mais que as palavras destes últimos. Porque ser antropólogo é também tomar partido. Neste caso, fui apenas o operário das letras que me foram contadas e reescrevi. Esta é (parte) da história destes Homens. Escrevo-a como a ouvi.

António Lains Galamba

 

 

 Fotos: Apresentação do Livro.

Núcleo Museológico de Ervidel, 9 de Maio de 2009

 

 

Actualizado em ( 19-Mai-2009 )
 
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